Menos um rosto na multidão

•terça-feira, 17 janeiro, 2012 • Deixe um comentário

Um homem foi morto hoje em Juiz de Fora. Para quem acompanha rotineiramente o noticiário policial, principalmente para quem o redige, essa informação seria mais um infeliz fato do nosso cotidiano violento. Para mim, no entanto, a constatação teve outro sentido. Isso porque ao apurar as informações relacionadas ao crime, descobri que aquele corpo várias vezes alvejado era o de um homem que vi ontem. Não, ele não era meu amigo, tampouco “conhecido de cumprimento”. Era mais uma pessoa na rua que o acaso tratou de colocar em meu caminho.

Ontem, ao voltar para casa do trabalho, passei pela barraca de acessórios com a qual ele tirava seu sustento. A tela onde ficavam pendurados brincos, pulseiras e óculos, caiu bem na minha frente e, num reflexo natural, levantei-a novamente. Ele já se aproximava para reerguer a estrutura quando agi. Como resposta, recebi um “Ô! Valeu, rapaz!”. E foi isso. Esse foi o nosso encontro de cinco segundos no fim da tarde de uma segunda-feira.

Não o conhecia. Não sei se era o que se pode dizer um “bom homem” ou um “malandro” das ruas. O que sei é que o homem que sorriu para mim ontem, já não está lá mais hoje, e não estará amanhã.

Não estou comovido ou emocionado, mas o simples fato de escrever sobre isso mostra que, de alguma forma, eu me importei. Provavelmente, se aquele homem hoje ali estivesse eu passaria sem sequer me lembrar do seu rosto ou do gesto que fiz ontem. Acho que foi justamente a tragédia que permitiu à minha memória acessar essa parte que geralmente fica esquecida e despertar em mim a compreensão da trivialidade da vida. Hoje se está aqui, amanhã talvez já não mais.

Acho que o jeito é torcer para que encontros corriqueiros como aquele não nos permitam ter esse tipo de sensação em virtude de uma fatalidade. Enfim, bola pra frente…

Um troço muito doido!

•quinta-feira, 12 janeiro, 2012 • 2 Comentários

Hoje fui surpreendido pelo relato de um velho amigo. O Daykerson sempre foi um cara de uma abstração única, mas nessa ele se superou. Vale a pena ler pelo relato e pelo bem estar literário que a coisa transmite.
“fui de cascavel para capanema, na vespera do ano novo
o onibus num vai direto, faz parada em realeza, cidade pequena, e dai pego outro onibus pra ir pra capanema
esse outro onibus é velho, com janela emperrada, cortina
de repente, no meio daquela velharia, comecei a me sentir bem
e peguei o celular pra ouvir musica
coloquei a trilha de Elizabethtown
e a viagem começou
imagina a estrada
estreita, um céu azul fantástico….
e eu deixei a janela aberta até chegar
o vento tava bem forte
qdo eu fechava os olhos, parecia que eu ficava como se estivesse em transe, com a musica alta e o vento, além do reflexo do sol no canto da janela
qdo eu abria os olhos, via pequenas comunidades na beira da pista
casinhas de madeira, com varanda, um poço do lado
e o onibus vai passando. e as pessoas vão até a porta pra ver os onibus passarem
e quem estiver olhando para eles, acidentalmente ou não, eles acenam efusivamente
acenei para crianças, muitas, alguns velhinhos com um sorriso falho no rosto
umas senhoras com o rosto cansado
até mesmo pra uma garota, devia ter uns 19 anos
ela era linda… e eu imaginava a vida dela, no meio daquele completo nada
e a trilha sonora se encaixava com cada momento
parecia que qdo uma musica acabava, eu entrava num trecho novo da estrada que foi feito para aquela musica
extremamente sem noção
coisa muito simples, saca?
uma viagem que muita gente ficaria reclamando todo percurso
eu curti demais, comigo mesmo, e com aquelas pessoas
dai qdo eu meio que recobrei a consciencia (hehehe) pensei em voce
que voce tambem iria ter gostado de ter vivenciado isso
ou pelo menos antes voce gostava
hehehe
não vai me chamar de drogado… nem fumei nada… hehehehe só me embebedei de vida
doideeeeeeeeeera”
(Daykerson Alonso Vicente)

A curiosidade da Carol

•sábado, 22 janeiro, 2011 • Deixe um comentário

Carolina diz:
ohaohahoahao
conta segredos

Raphael diz:
o que vc quer saber?
falo sóbrio mesmo… sem problema

Carolina diz:
nao sei
algo q estranho q aconteceu c vc

Raphael diz:
então lá vai
1995
2a série
eu estudava de manhjã e fazia parte de um projeto de clientes do BB à tarde
na aabb
tipo uma recreação
minha mãe me criava sozinha
a gente sempre fugia das aulas de recreação, na maioria esportes, pra desbravar a mata e o morro que tinha nos fundos
um dia a gente passou dos limites
e saiu da aabb… subimos o morro acima do campo de futebol, o “campão”
eu, digo, matheuzim e bruno
lááá no alto
era plano
e, no meio do nada, tinha uma casa
uma casa bonita
com vidraças grandes e tal
completamente abandonada
no meio do nada
e um cavalo sem cela bebendo água da piscina
e do outro lado tinha uma vista maravilhosa da cidade
e silêncio
a casa, o cavalo, a paisagem e o silêncio
no meio do nada

Carolina diz:
q bonito

Raphael diz:
nunca mais voltei lá
e nunca descobri nada sobre a casa

Carolina diz:
será q foi de verdade?
ou uma visão?

Raphael diz:
não sei

Disposição!

•sábado, 12 setembro, 2009 • Deixe um comentário

Este é o mundo das relações de plástico. Ora descastáveis, ora recicláveis.

Emoção!

Mais um quilômetro, mais uns segundos.

Transpiração!

Outra meta, um alvo atingido.

Realização!

O ser consigo mesmo.

Adoração!

Seguir em frente, não importa o quanto pense ser incapaz.

Disposição!

Lá na frente você vê no que dá.

But just don’t stop running, motherfu@%&*!

Lester Burnham que me desculpe…

•domingo, 16 agosto, 2009 • 1 Comentário

… Mas, para mim, os amigos são como heróis pessoais: cada um com sua batalha, sua dedicação, momentos de desamparo e nova inflamação para o retorno à luta.

E, mesmo que as coisas não saiam como o planejado: rei morto é rei posto. Herói caído é mártir.

Parecia inofensiva, mas…

•quinta-feira, 6 agosto, 2009 • 4 Comentários

Papo show com a amiga Inara. Abração, fia!

hell diz:
o que eu acho massa em algumas garotas é isso
vcs não precisam de homem pra ajeitar suas próprias vidas…
mulher independente é um tesão

tipo
e não é por vcs
é por mim
mulher moderna dá liberdade pra tomar a cerveja com os amigos, pro futebol, pras coisas que homem gosta de fazer… sem encheção de saco
daí o cara só tem que ter o bom senso de dar liberdade pra ela tb
ciúme é a paranóia permanente, típica dos relacionamentos fracassados

Inara diz:
concordo plenamente

PS: Monólogos no MSN não são só com você, caro amigo Glauco! Hahahaha!!!

Grito!

•quarta-feira, 29 julho, 2009 • 1 Comentário

É a magnitude esplêndida, o grito que não cala, a vibração impossível de conter! É a empolgação maior de cada ser vivo, como se não houvesse saída para tanta euforia! O ápice da imaginação, da criatividade e do próprio bem querer! É o bem estar supremo frente às dores do mundo e suas execráveis incógnitas!

Bendito seja! Bendito seja este espetacular livre arbítrio que nos permite tudo!

Sábio era Crowley, que dizia: faz o que tu queres, há de ser tudo da lei!!!

Ps.: volto a atualizar esta porcaria com frequência a partir de agora.

Sem babaquice…

•domingo, 26 julho, 2009 • 5 Comentários

É impressionante como o ser humano tem uma encantadora capacidade de superação. Todos os dias muitos de nós somos submetidos a situações amedrontadoras. Alguns tremem na base, outros encaram e vencem e outros ainda caem. Pois é sobre esses que já experimentaram o árido gosto da derrota que minha atenção pairou nos últimos dias.

A cada hora que passa, surpreende saber que cada vez mais pessoas passam a vida sem conseguir superar uma queda, um erro ou uma perda. Como se a nossa notável imperfeição humana representasse alguma falha de caráter ou a obrigação de vencer, superar, derrotar. Mas… Contra quem é mesmo a luta?

Mais curioso ainda é constatar que a maioria das pessoas concorda quando motivadores dizem que o maior adversário está em nós mesmos. Para mim, isso só torna a derrota ainda mais vergonhosa. Eu não sou um motivador. Sou um analista de consequências. Há coisas que certas pessoas realmente merecem, outras não.

Por mais engraçado que possa parecer, recentemente estive na situação de quem se sente tão mal. Não me sentindo mal, mas com “razões” para tal. A nossa mente não descansa. São diversos pensamentos que se cruzam e só servem para confundir quem precisa de uma resposta clara. A minha eu encontrei com uma mudança de atitude. Pode não ser a mesma solução para o seu caso, mas pelo menos a vida segue, mesmo na eterna ingestão do doce ou do amargo sabor das situações.

Portanto, velho, levante a cabeça, chute a primeira porta que vir e dê um berro pra vomitar toda a maldição que o mundo jogou sobre você. No resto, dá-se um jeito…

Bairrismo Intelectual

•segunda-feira, 18 maio, 2009 • 1 Comentário

A Modernidade gerou duas tradições intelectuais opostas, em princípio, no que diz respeito ao conhecimento das sociedades e das culturas.

A primeira é a perspectiva filosófica e científica entendida como verdadeira e universal, que vê nas sociedades e nas culturas “objetos” de estudos. A aliança entre o saber e o poder consolidou um modelo em que o intelectual aparece como porta-voz de uma “verdade” inquestionável e universalmente válida e que colocou a Europa no “centro” do mundo. A expansão da modernidade não se deu apenas pela dominação econômica, militar e política das demais formas de pensamento e produção. Consolidou-se também graças a uma dominação  cultural, que se deu, sobretudo, por meio das instituições científicas, culturais e educacionais. A ciência e a cultura européias difundiram-se enquanto signos de uma cultura supostamente mais elevada, superior e verdadeira, abarcando as demais e constituindo-se como padrão comunicativo.

A segunda é a tradição intelectual que correu por muito tempo fora dos parâmetros da ciência. Tratar-se-ia, antes, de um padrão “literário” ou “artístico” de aproximação às realidades humanas. Shakespeare, o Lazarilho, o Barroco, os autores latino-americanos – para ficar no âmbito Europa-América, rota de origem da Modernidade – conformam um padrão de intelectual-narrrador imerso na cultura e em suas contradições.

Por muito tempo estas duas tradições andaram separadas. Esta separação  só foi quebrada, pioneiramente por autores como os brasileiros Euclides da Cunha e Gilberto Freyre, que trazem para o campo das Humanidades as formas de conhecer e descrever da ficção. Suas obras, de alguma forma, refletem um modelo de intelectual marcado pela contradição, pela narração poética e pela imersão apaixonada nas culturas e nos fenômenos que analisam. Mais recentemente, vários pensadores têm adotado perspectivas semelhantes na crítica aos princípios das Ciências Humanas formulados na segunda metade do século XIX.

[...]

Muitos intelectuais contentaram-se em criticar a “indústria cultural” quando seus próprios corações estavam sendo irremediavelmente invadidos. Sem nenhum pudor, no entanto, serviram-se da mesma indústria para manter sua condição de elite, divulgando sua alta cultura, seus artigos e suas belas fotos em pose de professores doutores.

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LEMOS, Maria A. B.; WINCK, João Baptista; DIMANTAS, Hernani.  Os intelectuais e a cibercultura: além de apocalípticos e integrados.  Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/033/33clemos.htm>. Acesso em: 26 out. 2008.

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PS: Sensacional!

Fantasminha Camarada

•quarta-feira, 28 janeiro, 2009 • 8 Comentários

orla-de-aracaju

Foto: orla de Aracajú, Sergipe

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“Papo de calçada”, on-line, com um espirituoso amigo do nordeste. Conforme um pedido do mesmo, substituí seu nome ironicamente por “Glauco” (longe de qualquer arrogância, hein amigo leitor!). Peço humildemente que reflita sobre a explanação.

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hell diz:

não é aquela questão básica da grama mais verde do outro lado da cerca

hell diz:

não tem nada a ver com inveja e tal…

hell diz:

é consigo mesmo né?!

hell diz:

de não se sentir a vontade…

Glauco diz:

isso

hell diz:

o lugar, as pessoas… enfim, o ambiente

Glauco diz:

é por aí

hell diz:

eu vivo assim

hell diz:

as vezes passo dias sem sair de casa

hell diz:

pq não quero ver ninguém… pq não tenho vontade de ver ninguém

hell diz:

e fico ali… curtindo o tempo comigo mesmo

hell diz:

lavo a louça, arrumo as gavetas, vejo filmes…

hell diz:

alugo sonhos, reflito e os descarto

hell diz:

mas eu vou mudar essa metodologia

hell diz:

pq quando eu ficar velho talvez me arrependa de não ter aproveitado o tempo da minha juventude de forma mais produtiva

Glauco diz:

verdade

hell diz:

mas a noção de ausência de tudo traz conforto… já pensou se ninguém precisasse convenientemente mentir?

hell diz:

como naquele papo do Di Caprio com a psicóloga em “Os Infiltrados”

hell diz:

“mentir para manter o equilíbrio”

Glauco diz:

não assisti

hell diz:

eu acho que o que fode o mundo é o equilíbrio

hell diz:

todo mundo quer segurança, estabilidade e equilíbrio

hell diz:

e a resultante disso é uma angústia que dinheiro nenhum afasta

hell diz:

que certeza nenhuma abala

hell diz:

e aí fica todo mundo com a impressão de que a vida é algo que não foi feito pra ser compreendido… e simplesmente… atura

Glauco diz:

isso

hell diz:

levanta a cabeça no dia seguinte, veste a mesma fantasia de palhaço de todo mundo e sai pra “aproveitar o dia”

hell diz:

e o nosso estômago agradece pelos “filés fritos no suor e na intolerância”

 
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